O que é uma mesa proprietária
Uma prop firm é uma empresa que oferece acesso a capital — próprio ou simulado — mediante aprovação em uma avaliação com metas de resultado e limites rígidos de risco. O trader aprovado passa a receber uma parcela do resultado gerado.
O modelo mais comum hoje é a avaliação paga: o candidato adquire um desafio, opera sob regras específicas e, se cumprir os critérios sem violar limites, recebe uma conta financiada.
Estrutura típica: Step 1, Step 2 e conta financiada
Modelos de duas etapas costumam exigir uma meta de lucro maior na primeira fase e menor na segunda, mantendo os mesmos limites de perda em ambas. Modelos de etapa única concentram tudo em uma fase, geralmente com regras adicionais de consistência.
- Step 1: meta de lucro mais alta, prazo definido ou ilimitado conforme a empresa.
- Step 2: meta reduzida, com foco em demonstrar consistência e não sorte.
- Funded: conta financiada, com divisão de resultado e regras que continuam valendo.
- Scaling: aumento progressivo de capital condicionado a desempenho sustentado.
As regras que mais reprovam
A maioria das reprovações não decorre de falta de lucro, e sim de violação de limite. Vale ler o contrato vigente com atenção, porque a definição exata de cada limite varia bastante.
- Perda diária máxima: encerra a avaliação quando a queda no dia ultrapassa o percentual definido, frequentemente medida sobre o capital líquido e não apenas sobre operações fechadas.
- Perda total máxima: rebaixamento máximo em relação ao saldo inicial (estático) ou ao maior pico atingido (trailing) — a diferença entre os dois modelos é enorme na prática.
- Regra de consistência: impede que um único dia represente parcela excessiva do lucro total.
- Número mínimo de dias operados e, em algumas empresas, tempo mínimo de posição.
- Restrições em torno de notícias de alto impacto e manutenção de posições no fim de semana.
- Limites de lote, de exposição simultânea ou de uso de automação.
Um exemplo numérico de limite diário
Suponha uma conta de avaliação de US$ 10.000 com perda diária máxima de 5%. Se a regra considerar o capital líquido, uma posição aberta com prejuízo flutuante de US$ 480 somada a uma perda realizada de US$ 60 já ultrapassa o limite — mesmo que o trade em aberto ainda pudesse reverter.
É por isso que operar próximo do limite é arriscado: a violação pode ocorrer por flutuação, sem qualquer decisão adicional do trader.
Payout e continuidade
Contas financiadas costumam prever repasses periódicos, com percentual de divisão e prazo mínimo entre solicitações. Algumas empresas exigem um número mínimo de dias operados no ciclo ou aplicam regras de consistência também na fase financiada.
Vale observar também as condições de encerramento: violar um limite na conta financiada normalmente significa perder o acesso, sem devolução da taxa paga.
Diferenças entre empresas e riscos envolvidos
As regras não são padronizadas. Duas empresas podem usar o mesmo nome para limites calculados de formas diferentes, e mudanças de política ocorrem com frequência. Nada substitui a leitura do contrato vigente no momento da compra.
Há também risco de contraparte: a taxa é paga antecipadamente, o desempenho não garante aprovação e nenhuma metodologia, manual ou automatizada, assegura passar em uma avaliação.
Implicação prática para automação
Em avaliações, o parâmetro dominante é o controle de perda, não a busca por retorno. Estratégias agressivas tendem a atingir a meta rapidamente ou a violar um limite antes disso.
Qualquer automação usada nesse contexto precisa respeitar explicitamente as regras da mesa contratada — limites diários, horários bloqueados, restrições de notícia e exposição máxima — e ser testada com esses limites ativos, não apenas com objetivo de lucro.