O que é drawdown
Drawdown é a queda medida de um pico até o vale seguinte, antes que um novo pico seja atingido. É a forma mais direta de descrever a dor de carregar uma estratégia: não quanto ela rende em um bom período, mas quanto ela tira antes de se recuperar.
Um exemplo numérico: uma conta sai de US$ 10.000, sobe até US$ 12.000, recua para US$ 10.800 e depois volta a subir. O drawdown desse ciclo é de US$ 1.200 sobre o pico de US$ 12.000, ou seja, 10%. Note que ele é medido a partir do pico, não do depósito inicial.
Saldo e capital líquido (balance e equity)
O drawdown de saldo considera apenas operações encerradas. O drawdown de capital líquido (equity) considera também as posições abertas e costuma ser maior, porque incorpora o prejuízo flutuante ainda não realizado.
Essa distinção é decisiva. Um sistema que evita realizar perdas pode exibir um drawdown de saldo pequeno enquanto carrega posições muito negativas em aberto. Ao comparar dois sistemas, é essencial saber qual dos dois números está sendo apresentado.
Muitas mesas proprietárias e a maioria dos avaliadores sérios utilizam o drawdown de equity justamente porque ele não permite esconder risco em aberto.
A matemática da recuperação
Perdas e recuperações não são simétricas. Uma queda de 10% exige cerca de 11,1% de ganho para voltar ao ponto inicial; 20% exige 25%; 33% exige 50%; 50% exige 100%; 70% exige aproximadamente 233%.
A fórmula é simples: ganho necessário = perda ÷ (1 − perda). Quanto mais fundo o buraco, mais desproporcional o esforço para sair dele — e mais tempo a conta passa apenas reparando dano em vez de acumular resultado.
Por isso, controlar a profundidade da queda costuma ser mais determinante para a sobrevivência de uma conta do que maximizar o retorno em períodos favoráveis.
Retorno e risco precisam ser lidos juntos
Um retorno de 40% com drawdown de 10% e um retorno de 40% com drawdown de 35% são resultados completamente diferentes, ainda que a linha final seja igual. O segundo exige quase quatro vezes mais tolerância — e uma sequência ruim ligeiramente pior o levaria a um patamar difícil de recuperar.
Relacionar retorno e queda máxima é mais informativo do que olhar qualquer um dos dois isoladamente. Também vale observar o tempo de recuperação: quanto tempo a conta permaneceu abaixo do pico anterior.
Por que o drawdown histórico não é um limite
O maior erro de leitura é tratar o pior drawdown observado como um teto. Ele é apenas o pior resultado dentro daquela amostra específica; nada impede que uma sequência futura seja mais longa ou mais profunda.
Amostras maiores tendem a revelar quedas maiores, simplesmente porque houve mais oportunidades para que uma sequência ruim ocorresse. Planejar considerando um cenário pior do que o já observado é postura conservadora, não pessimismo.
Risco por operação e risco agregado
Definir risco por operação é apenas metade do problema. Operações simultâneas, correlação entre instrumentos e sequências de perdas produzem risco agregado que ultrapassa o risco individual planejado.
Um exemplo: arriscar 1% por trade parece conservador, mas cinco posições correlacionadas abertas ao mesmo tempo podem se comportar como uma única operação de 5%.
- Limite de perda diário, com parada obrigatória ao ser atingido.
- Limite de exposição simultânea e de número de posições abertas.
- Stop loss definido antes da entrada, não durante a perda.
- Critérios objetivos de pausa operacional, escritos previamente.
- Revisão periódica do tamanho de posição conforme o capital varia.